terça-feira, 13 de outubro de 2009

Você parecia solitário... (ou "deu vontade de ter minha vontade de volta”)

Eu te fiz aquele presente
pra te acompanhar do meu jeito
Nele eu coloquei um pedaço
da minha vontade de viver
e viver do seu lado de sorriso costurado
o único modo que tinha
Me enganei desde o começo
Te dei meu humor e até meu endereço
E você ficou tão convencido que já era dono da minha admiração

Então eu seqüestrei o que havia te dado
Dei a ele uma dose e um trago
E assisti-o queimar dentro da lata de lixo
Dentro da noite escutando sua banda favorita
Assim estariamos devidamente empatados

No sofrimento não tive vergonha de ser otimista.





Meu amor não é do tipo exibicionista
Não tira o primeiro lugar
Ele se encontra na ultima enfermaria
De uma cama em particular
Ele está no corredor do hospital
ao lado do meu sofrimento
Está lúcido, limpo e alimentado
Mesmo que esteja desacreditado
Meu amor é contentinho e imaturo
E disso eu não me envergonho
É meu argumento infantil para felicidade

domingo, 10 de maio de 2009

Uma palavra ingênua


Meus olhos se apaixonaram pelo chão cor-de-rosa

que se forma embaixo daquela árvore.

Rio das minhas próprias palavras, apanho as flores quebradas.

Uma pétala sua foi capaz de parar o tempo.

Por favor amor, deixe as coisas assim.

Portas que já foram arrombadas

Eu estou pensando
em parar de pensar nele
Estou parando de pensar
em parar e continuar
Parei com tudo
Fui até a casa dele
O portão estava aberto
Quebrei só a porta
Ali mesmo na sala
com a porta aberta
Eu o beijei com gosto
Nós fizemos tudo aquilo
que eu tinha pensado
Sem parar e sem pensar
Muito
Ali mesmo na mesa de centro
Com o meu corpo aberto
Ele me puniu com gosto
Pela porta quebrada
Tudo acertado entre nós.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Memórias de minhas asas quebradas


Você rasgou minhas asas
Quando foi embora
Ontem eu achei outras numa loja
Comprei novas asas para mim
Eu deveria estar feliz com isso
Mas fico lembrando do seu olhar
O olhar de um homem apaixonado
E eu ficava voando no seu abraço
Hoje eu sei será diferente
Nos olharemos de outro modo
Nós dois na chuva
Desbotando nossos sentimentos
Nosso único beijo
É o pouco que nos permitimos amar
Eu sei que não voarei nunca mais
Porque essas asas são de plástico.

domingo, 15 de março de 2009

Para os desconhecem a minha saudade.




Desenho tudo que amo

E amo tudo que eu desenho

Com essas mãos que antes eram tão trêmulas

Tão descoordenadas

Não tem quem possa riscar isso de mim

Me apaixonei por um desenhista

Eu desenhei as minhas escolhas

Não quero mais borracha

Caso me arrependa

Eu vou lá e pinto algo mais bonito em cima

Não tente me dizer o que é coisa de desenho

Provavelmente não conseguirá.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Fator UVA e UVB

Nossas semelhanças aparecem
Quando bebemos demais
Sorrimos o mesmo sorriso
Abaixamos as mesmas pálpebras
Mas o seu olhar é atencioso e desliza sobre mim
Enquanto o meu só quer se divertir as escuras
É fácil ser feliz de óculos escuros
Principalmente quando eles combinam

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Sonhos solitários

Essa é a história de um trêm solitário.
O único da pequena e triste cidade.
Tristemente repleta de gente frustrada.
Mas essa é a história do trêm.
Cuja única passageira é a luz do entardecer.
O por-do-sol, menos solitário, beija o rio.
Rio que também é o único da triste e pequena cidade.
O trêm vê aquela cena e adormece no terminal.
Sonha com formigas coreanas.

Garfo e Faca




Eu adoro a borda
Borda de pizza
O pedaço de lasanha
que ficou na borda do refratário
Eu sou assim
Fico escorada na parede do bar
Esperando que alguém me devore.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Sob nenhum pretexto

Estou seguindo adiante

Isso mesmo garoto!

Gosto de saber que você ri de mim

Ter a certeza que não atendo aos suas expectativas

Tão criteriosas

Minha cabeça

Progressivamente

Esmaga

Essa liberdade do romântico militante

As bandeira que todos vocês levantam

e não conseguem carregar

Fique feliz garoto! Continue sendo convencido!

Porque minha raiva já foi sua um dia